Cycling friendly cities [vídeo]

29 05 2012

Para fazer uma cidade agradável e amigável não só para as bicicletas, mas para as pessoas, não precisa de muito dinheiro. Pelo contrário! Esse vídeo mostra como essa realidade é muito mais possível do que a gente pensa.





O prefeito, de novo na contramão

11 05 2012

Foi inaugurada ontem a ciclofaixa da Av. Icaraí, com 1,7km de extensão na Zona Sul de Porto Alegre. Presentes estavam o prefeito da Capital, José Fortunati, e o Diretor da EPTC, Vanderlei Cappellari. Repetindo a trapalhada da ciclovia da Av. Ipiranga (link), Fortunati demonstrou mais uma vez sua convicção em pedalar na contramão, como pode ser visto no vídeo abaixo (a partir dos 3:40″ e depois nos 6:20″em diante).

Mas sejamos justos: diferente do que aconteceu na Ipiranga, dessa vez o prefeito não tinha como pedalar no sentido correto, já que a ciclofaixa da Icaraí é unidirecional, apenas no sentido bairro-centro. É mais ou menos o equivalente cicloviário a uma passagem só de ida para onde quer que seja. Coagido a desrespeitar o Código de Trânsito Brasileiro e colocar sua vida em risco, Fortunati deveria cobrar uma atitude enérgica das autoridades, antes que acidentes ocorram naquele local.

Mas andar na contramão não é a única trapalhada do nosso prefeito: talvez de tão impregnada de carrocentrismo que esteja a mentalidade dos ocupantes do Paço Municipal, Fortunati cometeu mais um deslize (9:30″), ao dizer que “A ciclofaixa é uma alternativa em vias onde a ciclovia não pode ser construída permitindo o estímulo ao uso do automóvel“. Porra, prefeito! Se bem que nem dá pra se queixar muito, já que nem diferenciar ciclovia de ciclofaixa ele sabe (veja nos 0:35″).





Velho Recife Novo

9 05 2012

Filme esclarecedor sobre os atuais rumos do planejamento urbano (ou da falta dele) em Recife. Mas essa realidade triste e maquiada pode ser vista em praticamente toda cidade grande do Brasil hoje. (Dica do Luiz Felipe Lied)





A forma mais sincera de elogio

7 05 2012

Não tenho certeza, mas acho que foi Sófocles quem disse: “O plágio é a forma mais sincera de elogio”.

Em artigo na edição de hoje (7/5) do jornal Zero Hora, o presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, se apropria de uma frase que foi cunhada e consagrada pelo movimento Massa Crítica. Jogando pra torcida e exaltando a inauguração de 416 metros da ciclovia na Av. Ipiranga, 4,4% do total previsto, Cappellari (também conhecido como “Carrollari”) intitula seu texto: “Nós somos o trânsito”.

Por um lado, fiquei contente de ver nosso tão estimado presidente da EPTC plagiando exaltando o mote da Massa Crítica, mas fazer isso sem citar a fonte é feio, né? A frase é até o nome de um filme que foi feito sobre o movimento, que pode ser visto na íntegra no YouTube.

E aqui o artigo, que é descarado desde o título.

Nós somos o trânsito
por Vanderlei Cappellari*

A inauguração do trecho da primeira etapa da ciclovia da Avenida Ipiranga, entre a Erico Verissimo e a Azenha, nesta segunda-feira, representa outro ganho importante de qualidade na circulação de Porto Alegre. São os primeiros 416 metros de um total de 9,4 quilômetros, que, somados aos espaços a serem destinados aos ciclistas na ciclofaixa da Icaraí, a partir de 10 de maio, e ciclovia da Restinga, em atividade neste primeiro semestre, ao lado da ciclovia da Diário de Notícias, representam investimentos concretos na paisagem da cidade.

Em relação às bicicletas, não queremos que a atual gestão municipal seja marcada apenas como aquela que mais investe na construção de espaços para a circulação deste modal de deslocamento na Capital. Mais importante do que isto está no esforço e envolvimento de toda a sociedade, em buscar, e tornar realidade, uma mudança de cultura, na convivência mais saudável entre todos os atores inseridos nos mais diversos modais da circulação, em que a bicicleta ocupa papel de destaque como veículo de sustentabilidade social, urbanística e ambiental.

Muitos circulam de carro, bicicleta, ônibus, moto, skate etc. Só que, antes de tudo, somos todos pedestres. O maior sempre tem obrigação de cuidar do menor, no caso, dos mais expostos à acidentalidade. É importante ressaltar que este ou aquele segmento não deve ser carimbado como adversário ou inimigo. Nós somos o trânsito. Dentro desta realidade, o objetivo é a consagração de uma harmonia nas relações, responsabilidade compartilhada pelos diversos segmentos da nossa sociedade…

Por trás dos conflitos, dos números da acidentalidade, estão pessoas, pais, mães, filhos, amigos. Quase todo dia, por maior que seja o esforço de todos nós para um trânsito mais seguro, alguém sai de casa, se despede, e nunca mais retorna. É uma tristeza infinita, sem preço, ou explicação. Dentro deste cenário, é significativo lembrar, sempre, que o espaço público é de todos. Mas uma mudança de cultura depende de um mutirão construído por ações individuais. Cada um tem um papel fundamental a desempenhar nesta permanente missão de preservação da vida, nosso maior presente.

*DIRETOR-PRESIDENTE DA EPTC





Como matar uma cidade

7 05 2012

É pública e notória a bronca que muitos cicloativistas têm em relação à prioridade que é dada pela visão predominante de planejamento urbano no Brasil, que põe o carro em primeiro lugar em praticamente todas as decisões de gestão pública. A frase “Um carro a menos!”, cada vez mais repetida nas bicicletadas, é gritada e ouvida como uma crítica ao stress dos congestionamentos, à poluição, ao barulho, aos acidentes e, em última instância, à morte decorrente desse cenário.

Dados do Ministério da Saúde mostram que morreram 40.610 pessoas no Brasil em 2010 vítimas de acidentes de trânsito (para efeitos de comparação, no mesmo período morreram 35.233 pessoas vítimas de armas de fogo). Sob uma perspectiva mais ampla, a essas mortes deveriam ser somadas aquelas decorrentes de doenças respiratórias agravadas pela poluição, as resultantes de brigas de trânsito, as que são decorrentes do sedentarismo e, se falarmos de números mundiais, até mesmo as centenas de milhares de vítimas de conflitos que têm o petróleo como foco principal, como é o caso da guerra do Iraque.

Mas tem um outro tipo de morte que o carrocentrismo causa. Ela vem de forma sorrateira, gradual, e é pouco perceptível aos olhares menos atentos. Falo da morte das cidades. É uma morte diferente daquelas do trânsito violento: não ocorre de forma abrupta, trágica e agonizante. Ela chega aos poucos, como uma doença crônica, degenerativa e arrastada. Tão gradual que o paciente evita procurar ajuda, porque, de tão insidiosa, não é percebida como sendo uma doença, e sim como o caminho natural na “evolução” das cidades.

Ande em qualquer cidade brasileira, abra qualquer jornal com classificados de imóveis, fale com qualquer corretor e constate: quase todo novo empreendimento imobiliário tem pelo menos duas vagas de garagem por apartamento. “O ideal seriam três ou mesmo quatro”, dirá o chefe de família, faceiro com crédito de 30 anos aprovado na Caixa. Uma para o carro do marido, uma para a esposa, uma para o filho, outra para a filha e, se for possível, mais uma ou duas para alugar. Até porque no futuro, raciocina o comprador, quando for colocar à venda o apartamento, a ausência de garagens significará desvalorização do imóvel. A expansão do mercado de imóveis novos dos últimos anos aconteceu simultaneamente com a maior facilidade para compra de carros. Por isso, é perfeitamente compreensível a demanda do mercado por esse tipo de venda casada: apartamentos-carros-garagens.

Mas, da mesma forma que o prazer imediato de repetir uma picanha gorda ou um doce caseiro no almoço repercute lá adiante em obesidade e hipertensão, o conforto de ter espaço para vários carros dentro do prédio acaba por retirar toda a vitalidade do espaço público, da rua onde se mora. Não é por coincidência que os bairros mais antigos são quase sempre aqueles mais vibrantes, com gente andando na rua, crianças brincando, vizinhos conversando e pessoas se cumprimentando. Isso não é por acaso. Esses lugares são assim justamente porque os prédios e casas têm pouca disponibilidade de garagens, obrigando seus moradores a caminhar para ir à padaria, a andar pela calçada para ir ao trabalho e até mesmo a atravessar a rua para pegar seu carro na garagem, onde são mensalistas. Em Porto Alegre, é o caso de algumas áreas do Centro, Cidade Baixa, Bom Fim e Moinhos de Vento, por exemplo.

Por outro lado, bairros mais novos, muitas vezes com prédios de alto padrão, têm ruas que só não são completamente mortas porque se vê, aqui e ali, uma guarita com um segurança. Pudera: é mais fácil sair e chegar em casa de carro, e também ninguém é louco de ficar andando a pé numa rua deserta, mesmo que seja dia claro. Este é o caso da elegante e morta beleza artificial do Jardim Europa, Chácara das Pedras e uns tantos outros bairros de classes A, AA, AAA e AAAA++++.

Veja bem: se de uma hora para outra começarem a construir prédios com fartura de garagens, a tendência é de que essa realidade, de ruas vivas, se altere em direção à desertificação humana, por mais que haja densidade populacional grande em função dos prédios. Mesmo que os moradores continuem sendo os mesmos. A lei do menor esforço, aliada à disponibilidade de condições (leia-se: vagas de garagem), rapidamente se encarregaria de tirar as pessoas das ruas e colocá-las dentro dos carros. De certa forma, se vê este fenômeno acontecer em locais tradicionais, mas com muitas casas que estão dando lugar a prédios novos e cheios de garagens, como é o caso da região do Menino Deus entre a Getúlio Vargas e a Azenha.

Aqui entra o papel do Estado, de intervir para retirar um pouco do conforto individual de modo a aumentar bastante o bem-estar coletivo. Um exemplo é a cidade de Munique, na Alemanha, sede de nada menos que a montadora BMW. Mesmo com essa realidade, uma série de medidas foi tomada a partir do ano 2000 para reduzir o uso de carros na parte interna da cidade. Uma delas foi justamente a de restringir o número de vagas de estacionamento nos novos prédios residenciais, estimulando os deslocamentos a pé. Já em Nova York, o novo e gigantesco complexo de edifícios do World Trade Center, em construção, terá apenas 200 vagas de garagem.

Assim como acontece nas dietas, às vezes é necessário um pouco de privação imediata de conforto para se conseguir mais bem-estar futuramente. Ao dificultar o uso do carro, o poder público estimula a ocupação dos espaços públicos e revitaliza regiões da cidade, promovendo o comércio, os vínculos comunitários, a atividade física e até a segurança pública. Aliás, até o mercado imobiliário e a indústria da construção civil se beneficiariam, já que vizinhanças mais vivas repercutem em imóveis mais valorizados.





Ciclovia da Ipiranga ficará pronta em 2025

3 05 2012

Conforme o site da Prefeitura de Porto Alegre, será inaugurado amanhã (4/5) o primeiro trecho da ciclovia da Av. Ipiranga. O trecho, de 416 metros, corresponde a 4,4% do trajeto total previsto, que é de 9,4 quilômetros. A obra iniciou no Dia Mundial Sem Carro, no ano passado (22/9), com um passeio ciclístico demagógico simbólico das autoridades da Capital gaúcha, exatos 224 dias atrás. Se o mesmo ritmo for mantido, podemos esperar a inauguração do percurso completo para o ano de 2025!

É inquestionável a necessidade de implantação da malha cicloviária em Porto Alegre. Mas a forma como o processo está sendo feito, sem ouvir usuários do sistema, vai dificultar a vida de quem quer pedalar.

(Só para se ter uma ideia, enquanto aqui o cumprimento da lei por parte do executivo (que se faz de sonso) está sendo exigido pelo Ministério Público, em Londres, uma das maiores cidades do mundo, as ciclovias estão no centro da campanha dos candidatos a prefeito.)

Ciclovia da Ipiranga: “tapete vermelho” do lado do esgoto a céu aberto (Foto Andrey Cidade/Divulgação PMPA)





“Imprimindo” uma bicicleta em 3D

30 04 2012

As impressoras em 3D ainda são uma tecnologia incipiente e muito cara. No entanto, a tendência é de que, num futuro não muito distante, essas máquinas sejam protagonistas de mudanças talvez tão profundas como as que se viram durante a Revolução Industrial.  Não será mais necessária a produção em escala para atingir custos menores, e a personalização de objetos será levada ao extremo. Nesta reportagem da BBC inglesa, projetistas criaram uma bicicleta inteiramente usando essa nova tecnologia. Veja o vídeo.








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