Um assunto mais leve agora.
Em 2007, a revista Dinamarquesa KBH Magazine usou pela primeira vez o termo Cycle Chic. Sem tradução formal em português, o termo rapidamente passou a ser utilizado em blogs e outras publicações relacionadas a moda e bicicletas. O pensamento por trás desse movimento é o de que bicicletas não precisam ser associadas necessariamente a esporte de alto rendimento, a ativismo ou a brincadeira de criança. Elas podem também se integrar à paisagem urbana, podem ser pedaladas por mulheres de saias e salto alto, homens de terno e gravata, trabalhadores com roupas menos formais mas ainda elegantes e bem arrumados. Assim como uma bolsa ou um relógio, a bicicleta pode compor um visual, pode servir para as pessoas mostrarem ao mundo um pouco do que são, sem precisar levantar bandeiras ou distribuir panfletos.
O site CopenhagenCycleChic.com tem um manifesto, publicado em 2008, onde constam os seguintes princípios (traduzidos livremente por este blog):
- Eu escolho pedalar com elegância e, sempre que puder, escolherei o estilo em detrimento à velocidade.
- Eu assumirei minha responsabilidade de contribuir visualmente para criar uma paisagem urbana esteticamente agradável.
- Eu estou ciente de que minha mera presença nessa paisagem urbana irá inspirar outras pessoas sem que eu seja rotulado como “ativista das bicicletas”.
- Eu andarei de bicicleta com graça, elegância e dignidade.
- Eu escolherei uma bicicleta que reflita minha personalidade e estilo.
- Eu tratarei minha bicicleta como meio de transporte e meramente um complemento ao meu estilo pessoal. Permitir que a bicicleta tenha mais destaque do que eu é inaceitável.
- Eu me esforçarei para que o valor total das minhas roupas sempre seja maior do que o da minha bicicleta.
- Eu usarei acessórios de acordo com as normas da cultura da bicicleta e vou adquirir, quando possível, protetor de corrente, pezinho, para-lamas, buzina e cesta.
- Eu respeitarei as leis de trânsito.
- Eu irei me abster de usar e possuir qualquer tipo de “roupa de ciclista”.
Ainda que o manifesto em si possa ser entendido como uma bandeira erguida “em nome do direito de usar a bicicleta sem ter que levantar bandeiras”, acho bastante interessante o que este movimento mostra.
Para me expressar melhor, vou traçar um paralelo com o ativismo ambiental. Se há 20, 30 anos, a defesa do meio ambiente era algo restrito aos mais engajados e fervorosos (sarcasticamente apelidados de “ecochatos”), hoje não se questiona que empresas, governos e indivíduos devam reduzir ou compensar seu impacto ambiental. Com as bicicletas, parece estarmos vivendo algo parecido, com um delay de uma ou duas décadas: hoje existem movimentos aguerridos, panfletários e questionadores, em prol do uso e do estímulo ao uso da bicicleta, como é o caso da Massa Crítica. Colhendo os frutos das manifestações apaixonadas, mas também reforçando o coro, o Cycle Chic reserva-se o direito de simplesmente usar as bicicletas, seja para ir trabalhar, comprar pão ou ir para a balada. Assim como hoje podemos comprar um sabão em pó que seja biodegradável sem sermos rotulados de “ecochatos”.

Hoje o Cycle Chic já não está mais restrito a Copenhagen (link do blog original aqui). Diversas cidades da Europa e Estados Unidos se uniram à ideia. Aliás, até aqui no Brasil a ideia cresce, ainda que de forma meio incipiente. Blogs, revistas e lojas fazem o que podem para difundir a ideia de bicicleta também combina com jeans, sapatos e camisas de botão, e não apenas com bermudas de lycra e camisetas coloridas.
Leia mais:
Copenhagen Cycle Chic
Vélocouture
Amsterdamize
Velo Chic NYC
Ah, mas também tem coisa boa aqui!

Muito bacana o post! Gostaríamos de compartilha-lo no TheCityFixBrasil.com e já convida-los para se tornarem parceiros do blog. Teríamos autorização? Certamente com os devidos créditos. Abs
Oi Maria Fernanda! Sintam-se à vontade para compartilhar o conteúdo, e podemos conversar sobre essa parceria sim. Abraço!