As alegrias – e as aventuras – de quem escolheu viver sem automóvel

21 01 2013

O texto a seguir é a matéria de capa desta semana da revista Época. Cada vez mais, bicicleta deixa de ser uma alternativa de gente “alternativa” (desculpem, desculpem! ;)) para se tornar uma opção real para o grande público. Como aquele torcedor do time que venceu o campeonato, só nos resta dizer: “Eu já sabia!”

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Mônica França, fisioterapeuta, buscava mais conforto no caminho de casa para seu trabalho, no Rio de Janeiro. Camila Nihei, médica, queria se deslocar mais depressa por São Paulo. O analista financeiro Danilo Ramalho desejava acordar um pouco mais tarde. Ricardo Santos, publicitário, pretendia viajar mais. Historicamente, a resposta para essas vontades é usar um carro particular. Foi justamente o que cada um deles experimentou, durante anos. Até desistir.

A perda do poder de sedução do carro é uma tendência mundial, como ÉPOCA mostrou na edição 758 (leia a reportagem aqui). No Brasil, tal comportamento foi confirmado pela Pesquisa de Origem e Destino do Metrô de São Paulo: de 1997 a 2007, o uso de transporte público na capital subiu de 45% para 55%. Segundo a imobiliária Lopes, 63% dos próximos lançamentos residenciais na capital estarão a até 1 quilômetro de uma estação do metrô.

Ganhar qualidade de vida na locomoção diária virou sonho de consumo da classe média. ÉPOCA entrevistou brasileiros que escolheram viver sem carro. Eles não fizeram isso por ativismo. Pelo contrário, guardam ótimas lembranças dos carros que tiveram. Apenas resolveram experimentar outra forma de viver e não se arrependeram.

Leia dois desses depoimentos abaixo e mais histórias em ÉPOCA desta semana. A revista está nas bancas a partir deste sábado.

Como trabalhar de terno, gravata, capacete e bicicleta

Numa manhã de fevereiro de 2011, o vereador paulistano José Police Neto (PSD), de 40 anos, acordou cedo e encarou sua bicicleta. Claramente acima do peso – na época, ele estava com 96 quilos, muito para quem mede só 1,60 metros –, decidiu levá-la para passear até o centro de São Paulo, uma pedalada de 12 quilômetros partindo de sua casa, no bairro de Moema. Fez o percurso em 47 minutos. “Achei que fosse morrer”, diz. Quase dois anos depois, Police, agora cerca de 20 kg mais magro e com condicionamento físico em dia, demora 22 minutos no mesmo trajeto. “Queria um veículo em que eu pudesse usar minha capacidade individual para me locomover”, afirma. De quebra, ele usou o apelo da bicicleta em sua campanha eleitoral no ano passado. Foi eleito pela segunda vez presidente da Câmara de Vereadores.

O dia a dia de plenários e visitas institucionais que a posição de homem público exige não o impediu de manter o plano de trabalhar de bicicleta. Ele tem algumas artimanhas para não parecer que acabou de sair de uma corrida de aventura quando chega pedalando ao gabinete. Como na Câmara de Vereadores não tem chuveiro, Police não consegue tomar banho. Então faz uma parada na padaria vizinha para esperar o corpo esfriar e secar. E só aí troca a camiseta dry fit, uma tecnologia que impede a absorção do suor, pela camisa social. Na mochila, mantém sempre um blazer de cor escura que amassa menos. Além de roupa extra no escritório por precaução.

Enquanto presidente da Câmara, Police precisa andar acompanhado de homens da Polícia Militar. A equipe que assumiu sua segurança, a mesma que prezava pela vida do ex-governador de São Paulo José Serra, não sabia ao certo como fazê-lo sobre duas rodas. Até então, trabalhavam em carros blindados, aeronaves e helicópteros. O comandante da trupe teve primeiro de aprender como é a escolta de bicicleta, para em seguida treinar seus cabos. “Eles ficaram assustados, tinham medo de acontecer alguma coisa comigo”, afirma. “Tanto que escalaram um ultramaratonista para me acompanhar”. Juntos, os sete seguranças que se revezavam no trabalho perderam 150 quilos.

Desde que adotou a bicicleta, Police já acumulou em torno de 3 mil quilômetros de pedal. A mulher reclama que, depois da virada, o marido desaprendeu a dirigir carros. Um dos automóveis da família, um Santana anos 1990, está à venda. Apesar de ter perdido o jeito com os veículos, Police sarou de um problema na coluna, melhorou a alimentação, diminuiu os copos de cerveja aos finais de semana, passou a dormir melhor. “Quando fico poucos dias sem usar a bike, logo percebo as consequencias na falta de sono”, diz. Seu próximo desafio agora é ir até Aparecida do Norte com sua magrela. Vai pagar uma promessa que fez para o Corinthians, seu time, se tornar bicampeão mundial.

Pedestre de carteirinha
(Por Thaís Fonseca, de 29 anos, editora-assistente do portal Meus 5 Minutos)

“Quando eu estava para me mudar do interior de São Paulo para a capital, há 6 anos, uma das primeiras recomendações que eu ouvi foi a de providenciar um carro. “Não dá para viver sem por aqui”, ouvi de alguns paulistanos nativos e outros recém-migrados. O problema é que, apesar de ter carteira de motorista, eu não tinha vivido o “sonho do carro próprio” e, recém-formada, levaria um bom tempo até comprar um. Resolvi me mudar sem. Alguns apostaram que eu não suportaria e imploraria aos céus por quatro rodas e um motor. Pois se enganaram. Ao contrário: virei pedestre de carteirinha.

Desde a minha vinda para a capital, já me mudei mais de 6 vezes de casa e 5 vezes de bairro. Ainda me impressiono ao ver um mundo de gente para fazer baldeação na estação de metrô da Sé, e com a longa espera por ônibus aos fins de semana. Mas aprendi a me movimentar por São Paulo dependendo apenas dos meus pés e do transporte público. Sim, dependentes de carro: há lados positivos nisso. Um deles é poder mexer mais o corpo e perder boas calorias sem pensar muito nelas. A outra é ler mais – e boa parte das minhas leituras dos últimos anos avançaram enquanto eu estava a caminho do trabalho. Também posso divagar à vontade no caminho, sem ser chamada de volta à realidade por uma buzina estridente. Além de ser possível enxergar de uma perspectiva mais próxima (e, para mim, mais interessante) as ruas, lugares e pessoas. A pé você descobre coisas no seu próprio bairro que, de carro, talvez nunca notasse.

Não estou dizendo que tudo é uma maravilha. A falta de pontualidade dos ônibus e o mau estado de conservação no interior de alguns deles estão entre os problemas. Fora a falta de iluminação em alguns pontos de ônibus, o excesso de gente no metrô em horários de pico (merecíamos mais linhas cobrindo toda a cidade, não?) e muitos problemas de sinalização e logística para a passagem de pedestres em várias esquinas.

Tudo isso me faz cair na tentação de recorrer ao taxi quando estou atrasada ou cansada demais, confesso. Mas desistir de ser pedestre, sinceramente, não me interessa. Recentemente, eu e meu marido compramos um carro . Ele é o motorista, por enquanto – minha carteira de motorista venceu há meses e eu, até agora, não a renovei. O motivo para a compra foi, principalmente, viagens que fazemos nos fins de semana. Por ora, prefiro ir ao trabalho, durante a semana, como pedestre. Essa resolução me faz ler mais, me mexer mais e ver de perto belezas e problemas da cidade que, presa e solitária e em um carro só meu, eu não veria.”





Projetos de lei propõem isenção de impostos para bicicletas

20 06 2012

Publicado originalmente no site Sul21.com.br

Samir Oliveira

Enquanto o governo federal concede isenção tributária à indústria automobilística, dois projetos de lei no Senado buscam a extensão dos mesmos benefícios às bicicletas. O PLS 166/09 do senador Inácio Arruda (PCdoB/CE) e o PLS 488/09 de Paulo Paim (PT-RS) tramitam em conjunto há três anos e estão, atualmente, na Comissão de Assuntos Econômicos.

As medidas propõem a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) em bicicletas, assim como o Palácio do Planalto vem fazendo desde 2008, quando a crise econômica fez com que o então presidente Lula cedesse esses benefícios às montadoras de automóveis. Recentemente, no dia 21 de maio, a presidente Dilma Rousseff reafirmou a política de seu antecessor.

Na ocasião, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou redução de 7% para zero do IPI sobre carros de até 1.000 cilindradas. Para os automóveis entre 1.000 e 2.000 cilindradas, o imposto caiu de 11% para 6,5%. A medida vale até o final de agosto e, até lá, o governo estima que a renúncia fiscal na área deverá ultrapassar R$ 1 bilhão.

O Planalto vê na redução dos impostos uma forma de estimular o consumo e, consequentemente, alavancar uma indústria que, de acordo com dados divulgados em março pelo IBGE, registrou uma queda de 30,7% na produção em janeiro deste ano, numa comparação com dezembro do ano passado.

É diante desse contexto que dois senadores que integram a base aliada de Dilma reivindicam o mesmo incentivo aos fabricantes de bicicletas – produto que arca com 10% de IPI. O projeto de Inácio Arruda isenta totalmente as bicicletas e seus componentes do imposto. O texto é parecido com o de Paulo Paim, que também isenta totalmente esses veículos de IPI.

Economicamente, a indústria das bicicletas demonstrou um decréscimo de 6,5% na produção entre 2010 e 2011, quando caiu de 4,9 milhões para 4,6 milhões de unidades. Mas, de 2011 até o final deste ano, a projeção da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas Bicicletas e Similares (Abraciclo), é que a produção chegue a 7 milhões.

No Rio Grande do Sul, tramita na Assembleia Legislativa um projeto semelhante, de autoria do deputado Adão Villaverde (PT), que estabelece isenção de ICMS para bicicletas cujo valor não ultrapasse R$ 779,47.

Paim acredita que governo federal pode endossar as propostas

O senador Paulo Paim acredita que o governo federal acabará endossando os projetos que defendem a redução do IPI para as bicicletas. O petista afirma que “o governo está discutindo” essa medida e vê um bom clima político no Senado para a aprovação das propostas. “Há um carinho muito grande por parte do meu projeto. É natural que o próprio governo acabe encampando isso”, avalia.

O senador diz que “o governo tem jogado, nas últimas décadas, o peso dos incentivos no automóvel” e que “com o tempo, as estradas não darão mais conta e isso influenciará o governo a entrar na linha de incentivar a utilização das bicicletas”.

Ciclistas criticam submissão ao imaginário do automóvel

Além dos aspectos econômicos envolvendo a redução de IPI para as bicicletas, há também uma dimensão social e até mesmo política nessa questão, já que pessoas que utilizam esse meio de transporte diariamente reclamam que a bicicleta não é vista com seriedade pelos governos e, muito menos, pelos motoristas de carros.

O diretor-geral da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade), Thiago Benicchio, diz que é importante reduzir o IPI e incentivar a compra de bicicletas, mas avalia que esse não é o ponto principal no debate. “Desde 1950, o Estado brasileiro é refém da indústria automobilística. Qualquer forma de transporte alternativa fica em segundo plano e todas as políticas de benefício são destinadas a esse setor”, critica.

Para ele, o governo precisa perceber que “apesar de a indústria automobilística movimentar uma enorme quantia de dinheiro, causa prejuízos urbanos e ambientais que não são contabilizados”. O cicloativista observa que as políticas públicas e urbanísticas destinadas exclusivamente ao automóvel “alimentam o imaginário que existe em torno do carro”. “A construção de cada vez mais pontes e viadutos é uma ótima aliada ao conceito de que carro é sinônimo de liberdade”, compara.

Entretanto, Benicchio acredita que, com a intensificação dos problemas urbanos causados pelo automóvel – como os congestionamentos e a poluição -, a população está se dando conta de que é preciso aderir a outros modelos. “Os problemas saltam aos olhos e as pessoas passam a enxergar a possibilidade de alternativas”, comenta.

Para o organizador do portal Vá de Bike, William Cruz, a possibilidade de as bicicletas serem isentas de IPI é “positiva” e contribui para “quebrar o ciclo” que faz com o país seja “refém da indústria automobilística”. “Reduzir o IPI dos fabricantes nacionais fará com que o produto se torne mais competitivo em relação ao que vem de fora, principalmente da China. E a bicicleta passaria a ser, ainda mais, uma alternativa viável para as pessoas de baixa renda”, comenta.

O cicloativista gaúcho Marcelo Sargbossa, diretor do Laboratório de Políticas Públicas e Sociais (LAPPUS), uma possível redução de IPI fará com que as pessoas comprem bicicletas de melhor qualidade. “Tem muita gente adquirindo bicicletas de R$ 200 que duram muito pouco tempo e acabam gerando até um trauma, já que o sujeito tem que estar o tempo todo indo na oficina”, avalia.

A reportagem tentou, durante dois dias, contato com dirigentes da Abraciclo, mas até o fechamento desta matéria não recebeu retorno da assessoria de imprensa.

 

 





Os perigosos ciclistas terroristas

30 04 2012





Porto Alegre estuda implantar sistema de aluguel de bicicletas

27 03 2012

Excelente notícia publicada no jornal Metro de hoje.

O sistema de aluguel compartilhado de bicicletas é uma das mais simples, econômicas e avançadas soluções para o trânsito nas grandes cidades. Iniciado na França (em Lyon e depois em Paris), rapidamente se espalhou por diversas cidades europeias e depois pelo resto do mundo. No Brasil, a experiência do Rio de Janeiro, iniciada no ano passado, virou um sucesso imaediatamente. Já em São Paulo, parece que a coisa vai meio que aos trancos e barrancos. Para evitar cometermos os mesmos erros, vale muito a pena ler esse texto aqui, da Natália Garcia, no Planeta Sustentável.





Como as bicicletas deixam as cidades mais legais

23 03 2012

And now for something completely different…

A cidade de Portland (Oregon, EUA) é tida como uma das mais progressistas e ecológicas daquele país. Há alguns anos, a cidade começou a investir fortemente em ciclovias e infra-estrutura voltada às bicicletas. O resultado pode ser conferido no vídeo abaixo. Não tem legendas ainda, mas as imagens falam por si. (Tem atletas de roupa de lycra colorida, mas também tem senhoras, crianças, entregadores de pizza, casais, imigrantes…)





Não seja um bundão. Respeite o ciclista.

19 03 2012

Vídeo produzido por nossos amigos do Vá de Bici.





Copenhagen – Cidade de Ciclistas

1 03 2012

Mas também tem lugar pra pedestre, motorista, criança, idoso, cachorro, gato, papagaio…








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