O fim dos subúrbios

20 06 2012

A extrema dependência que os Estados Unidos desenvolveram em relação ao automóvel tem uma forte simbiose com o urbanismo baseado em cidades onde predominam vias expressas urbanas, comércio do tipo drive-in e “big box” (hipermercados e shopping centers) e, evidentemente, os subúrbios.

A crise de 2008, embora tenha sido causada pela desregulamentação do mercado financeiro, teve o mercado imobiliário como estopim. As casas pasteurizadas dos subúrbios —apelidadas de McMansões— passaram a ser ofertadas a preço de banana, e mesmo assim encalhavam dia após dia, vazias e abandonadas, evidenciando que a crise traria mudanças profundas no “american way of life”.

Lançado cinco anos antes, o documentário The end of suburbia é um anúncio de que o modelo de subúrbio carro-dependente estava em decadência já naquela época, baseado no fato de que o preço do petróleo aumentaria cada vez mais.





Ocupe todas as ruas!

20 01 2012

Tem momentos na história em que o mundo parece uma panela de pressão. Quando estoura, a ordem das coisas como estamos acostumados é subvertida. O feijão fica mais forte do que a válvula e tudo muda. Em 2011, o manifestante foi eleito a pessoa do ano pela revista Time. Esteja ele em Atenas, no Cairo, na USP ou em Nova Iorque. O movimento “Occupy Wall Street”, articulado horizontalmente pela internet, mostrou que 99% das pessoas estão insatisfeitas com este mundo, construído para apenas 1% delas.

O vídeo abaixo mostra mais uma das facetas desta desigualdade. Ao invés de ocupar apenas Wall Street, ele propõe a ocupação de todas as ruas. Não exatamente por manifestantes, mas por pessoas. Foi elegantemente produzido por J. H. Crawford, autor do livro CarFree Cities (Cidades livres de carros, sem tradução para o português), que propõe, com muito fundamento, uma inversão da lógica carrocêntrica, ao colocar o automóvel em segundo plano no planejamento das cidades.

Já publicamos o vídeo aqui antes, mas agora ele foi legendado por este blog em parceria com o próprio autor. Compartilhem à vontade.

 





A origem das ciclovias na Holanda. (Versão brasileira: Herbert Richers)

4 12 2011

O post de inauguração deste blog, há um mês, foi o vídeo How the dutch got their cycle paths (“Como os holandeses conquistaram suas ciclovias”). Nós encontramos o mesmo vídeo, agora em versão dublada. Vale a pena pra ver como, diferentemente do que muitos por aqui pensam, o respeito aos ciclistas e as condições de infra-estrutura não nasceram por geração espontânea, e sim dependeram de ações do poder público. Uma salva de palmas pro @joniarroba, que fez a mão. Vejam, curtam e compartilhem!





Comprar, jogar fora, comprar…

1 12 2011

O post de hoje foge um pouco do tema central deste blog. Eu disse um pouco. Eu deparei com este vídeo há algumas semanas. Pelo tempo de duração dele, foi adicionado à perigosa lista “assistir mais tarde”. Perigosa porque essa tal “gaveta virtual” às vezes fica tão cheia de coisas, importantes, interessantes, engraçadas e até fúteis, que o critério de seleção acaba sendo o relógio. É curto? Assisto hoje. É longo? Semana que vem, talvez. Pois eis que esses dias criei o tempo necessário, coloquei o YouTube em tela cheia e dei play.

O documentário Comprar, Tirar, Comprar (“Comprar, jogar fora, comprar”, traduzindo do espanhol), produzido pela emissora pública de TV espanhola RTVE, conta a história da obsolescência programada, uma estratégia criada na década de 1920 e utilizada como forma de estimular a atividade econômica para enfrentar a Grande Depressão. As crises propiciam mudanças drásticas no modo de produzir, de pensar e de viver em sociedade. E só com essas mudanças é que elas são superadas. Uma dessas mudanças, verificada após 1929, foi a obsolescência programada que, em resumo, é o estabelecimento de um “prazo de validade” em produtos que teoricamente não necessitariam dele, para que as pessoas se sintam obrigadas a comprá-los reiteradamente. Acontece com as lâmpadas, como no exemplo do filme, que são feitas para não durarem mais do que 1.000 horas, acontece com a moda (mesmo servindo perfeitamente e estando em bom estado, as roupas da coleção primavera-verão do ano passado não podem ser usadas porque são muito… ahn… 2010!) e acontece com carros, que a cada ano ganham um friso cromado aqui e um farol maquiado ali só para o vizinho ver que o seu carro é deste ano e o dele é do ano passado.

A crise financeira de 2008 foi forte nos Estados Unidos e na Europa. Aqui, ainda se discute se foi uma marolinha ou uma marola de tamanho regular. Sem entrar em pormenores de teoria financeira ou oceanologia, não erra muito quem diz que o consumismo desenfreado e o crédito irresponsavelmente abundante estão entre as maiores causas. E as crises geram novas realidades: a Primavera Árabe e o movimento Occupy Wall Street não me deixam mentir. Aqui no Brasil, ainda estamos celebrando a realidade pré-crise: emprego em alta, crédito em expansão, indústria a pleno vapor e perspectiva de Natal com muito amor e solidariedade, digo, muitos iPads e iPhones debaixo da árvore (já que o netbook do ano passado não presta mais pra nada, né?).

Uma das melhores explicações da crise de 2008 que eu já vi. O "great reset" foi a queda brusca dos mercados, que estavam inflados em função da alavancagem (leverage) excessiva da economia real. A imagem foi retirada do blog "The Sketchpad: Personal Finance on a Napkin", do New York Times

Os pensadores mais vanguardistas não têm muita dúvida de que a realidade que vem por aí é diferente. Pelos corredores do G-8, corre à boca pequena que o Obama e o Sarkozy andam querendo criar um indicador de atividade econômica para substituir o PIB. (Shhh! Não digam que fui eu que falei…) Em vez de apenas contabilizar as riquezas produzidas pelo país em um ano, querem incluir indicadores de bem-estar e saúde. Ouviu? Bem-es-tar-e-saú-de! Claro, daí não tem perigo de os BRICS passarem deles, pois o PIB já estará obsoleto, e substituído por outro no qual eles mandem melhor que nós. Afinal, eles têm ciclovias, nós temos fábricas!

Por favor, não me apedrejem agora, mas talvez uma crise um pouco mais forte por aqui pudesse ter o efeito benéfico de acelerar uma mudança de realidade e prioridades, porque olha só: enquanto o mundo inteiro está discutindo e investindo em energias alternativas, renováveis, limpas, materiais biodegradáveis e por aí afora, nós estamos comemorando O PRÉ-SAL!!! Pode isso? Coisa mais século vinte, esse tal de petróleo, vai dizer? Obsoleto pacas!

Tá, vamos ao vídeo. Curtam aí. Se não der hoje, pelo menos tentem ver antes das compras de natal. (Tem legenda em português, trabalho do @igorslv. Uma salva de palmas, por favor.)








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